A boa notícia é que um estudo recente ajuda a esclarecer essa preocupação. E a resposta, quando a alimentação do dia está bem ajustada, é bem mais tranquilizadora do que muita gente imagina.
Treino em Jejum realmente piora os resultados?
Essa discussão existe há bastante tempo, principalmente porque estudos mais antigos sugeriam pior desempenho em quem treinava sem comer. Mas havia um problema importante: muitos desses trabalhos tinham metodologia fraca, com grupos muito diferentes entre si.
Em alguns casos, os participantes faziam jejuns muito prolongados, como no Ramadã, e nem sempre havia controle adequado de fatores decisivos, como:
- quantidade total de calorias
- ingestão de proteína
- tipo de treino realizado
- tempo real de jejum
Quando essas variáveis não são controladas, fica difícil saber se o problema era realmente o jejum ou se o resultado vinha de outros fatores da rotina alimentar.
O estudo novo analisado no vídeo mudou justamente esse ponto. Ele comparou dois grupos:
- um grupo que fazia refeição 1 a 2 horas antes do treino
- outro grupo que treinava com até 10 horas de jejum
O detalhe mais importante é que os dois grupos receberam a mesma quantidade de calorias e proteína ao longo do dia, além de seguirem treinos muito parecidos e monitorados. Ou seja: a comparação ficou mais justa.
A Solução / O Tratamento
O resultado foi surpreendente para muita gente: não houve diferença em força nem em hipertrofia entre os grupos após meses de acompanhamento.
Em outras palavras, o jejum antes do treino não teve impacto negativo, desde que o restante da alimentação estivesse bem organizado.
Os pontos centrais dessa conclusão foram:
- calorias totais adequadas ao longo do dia
- proteína suficiente nas refeições
- treino bem estruturado
- constância na rotina de alimentação e exercício
O vídeo também reforça uma ideia importante: a refeição pré-treino com carboidrato parece ter mais relevância em treinos longos. Quando o treino não é prolongado, e o dia está bem alimentado, o impacto de não comer antes tende a ser pequeno ou irrelevante.
A Visão Prática do Consultório
Na prática, isso ajuda muito o paciente que treina às 6 da manhã e simplesmente não consegue comer antes. Nem sempre a logística da vida permite o cenário “ideal”, e isso não pode virar desculpa para achar que o resultado está perdido.
O que vejo no consultório é que o erro mais comum não é treinar em jejum. O erro é:
- comer mal no restante do dia
- não bater proteína suficiente
- errar o volume total de alimentação
- achar que uma única refeição define o resultado inteiro
O corpo responde ao conjunto da estratégia, não a um único detalhe isolado. Por isso, quando a rotina está bem planejada, o jejum não precisa ser um vilão.
Conclusão e Próximos Passos
A regra de ouro aqui é simples: o resultado do treino depende mais do que você faz ao longo do dia do que apenas do que come antes da musculação.
Se você treina cedo e não consegue se alimentar antes, isso não significa automaticamente pior hipertrofia ou perda de força. O mais importante é garantir alimentação adequada, proteína suficiente e treino bem conduzido.
Para quem busca performance, o foco deve sair do medo do jejum e ir para a qualidade do planejamento como um todo.
Se você também treina em jejum ou já teve dúvida sobre isso, deixe seu comentário com a sua experiência. E, se quiser entender como ajustar sua alimentação e seus treinos para buscar resultado real, procure orientação especializada.
Dr. Airthon Correia
Ortopedia e Traumatologia
Cirurgia do Ombro e Cotovelo
CRM SP 178868 | RQE 80268 | TEOT 16584