Se você sofre com artrose no joelho, provavelmente já ouviu conselhos conflitantes sobre o uso de joelheiras. De um lado, amigos e familiares recomendam: “Compra uma joelheira, alivia muito!”. Do outro, alguns profissionais alertam: “Não use, isso vai deixar a sua musculatura preguiçosa”.
Afinal, em quem acreditar?
A joelheira protege a cartilagem? Ela realmente alivia a dor ou é apenas um efeito psicológico (placebo)?
Até mesmo as diretrizes médicas internacionais apresentavam certas divergências sobre o tema. Para colocar um ponto final nessa dúvida, cientistas realizaram um estudo recente e gigantesco chamado PROP OA (Provision of knee bracing for knee osteoarthritis).
Neste artigo, vamos detalhar o que a ciência descobriu sobre o verdadeiro impacto da joelheira na artrose e te dar o veredito: ela é sua aliada ou inimiga no tratamento?
A polêmica: Por que há tanta dúvida sobre a joelheira?
A lógica de quem defende o uso da órtese (joelheira) é simples e intuitiva: se o joelho está instável, fraco e dolorido, colocar um suporte externo confere firmeza, descarrega parte da pressão articular e alivia a dor ao pisar.
Em contrapartida, o grande medo de muitos especialistas é o uso excessivo. O receio é que, ao depender de um suporte externo o tempo todo, a musculatura da coxa e da perna relaxe, sofra atrofia (perda de massa) e, no longo prazo, deixe o joelho ainda mais desprotegido e vulnerável à progressão da doença.
O Estudo PROP OA: Exercício puro vs. Exercício + Joelheira
Para medir esse impacto de forma exata, pesquisadores acompanharam 466 adultos com mais de 45 anos, todos com sintomas de artrose no joelho. Eles foram divididos em dois grupos:
Grupo Padrão Ouro (Controle): Recebeu uma consulta com fisioterapeuta, educação detalhada sobre a doença e um programa de exercícios focado em fortalecimento para ser feito em casa.
Grupo Joelheira (Intervenção): Recebeu exatamente a mesma orientação e o programa de exercícios, mas com um adicional: o uso de uma joelheira específica para o seu tipo de artrose, acompanhada de mensagens de incentivo para manter o uso diário.
O objetivo era claro: descobrir se adicionar a joelheira ao exercício físico traz alguma vantagem real na redução da dor e na melhora da função do joelho em um prazo de 6 a 12 meses.
Os Resultados: O que mudou de verdade?
Aos 6 meses de acompanhamento, o veredito dos dados foi favorável ao uso do acessório:
O grupo que utilizou a joelheira relatou melhores resultados, com alívio na dor (especialmente ao colocar o peso do corpo no chão) e melhora na capacidade de realizar as atividades do dia a dia. Além disso, a segurança foi confirmada: os efeitos colaterais foram super leves, limitando-se a irritações na pele pelo suor ou atrito (cerca de 20% dos casos).
No entanto, a ciência exige honestidade sobre o tamanho desse benefício.
O estudo mostrou que, embora a melhora exista, o efeito é pequeno. A joelheira não foi a salvação milagrosa da cartilagem.
Outro detalhe importante: aos 3 e 6 meses, a órtese ajudou . Porém, aos 12 meses, o benefício extra praticamente desapareceu. O motivo principal? Com o passar do tempo, os pacientes simplesmente cansaram de usar o acessório diariamente devido ao calor ou desconforto.
Afinal, a joelheira é Aliada ou Inimiga?
A resposta é: depende de como você a utiliza.
Quando ela é sua ALIADA:
A joelheira é uma ferramenta fantástica de transição. Se você tem tanta dor que não consegue nem começar a fazer seus exercícios, a órtese fornece a segurança, a estabilidade e o alívio (mesmo que modesto) necessários para você sair do sedentarismo e iniciar a fisioterapia ou a academia. Ela não substitui o músculo, mas ajuda você a conseguir treinar o seu músculo.
Quando ela vira INIMIGA:
Ela se torna um problema se você a usar como uma muleta definitiva. Achar que colocar a joelheira resolve a artrose e, por isso, negligenciar o fortalecimento muscular é um erro grave. Como o estudo provou, o efeito analgésico do acessório diminui com o tempo.
Conclusão: A Regra de Ouro
Adicionar uma joelheira ao seu tratamento pode trazer um benefício importante de forma segura e acessível. Mas não se engane: o coração do tratamento da artrose sempre será a orientação médica, a perda de peso (quando indicada) e o fortalecimento muscular.
Pense na joelheira como o cinto de segurança que te permite dirigir com mais tranquilidade o “carro” do seu tratamento (o exercício físico). Use-a para ganhar confiança, movimentar-se com menos dor e construir, dia após dia, a sua própria “joelheira biológica”: a sua massa muscular.
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Dr. Airthon Correia – CRM SP 178868 | RQE 80268 | TEOT 16584